Você pode até não perceber ou lembrar, mas provavelmente alguma música do forró das antigas, também chamado de forró eletrônico, faz parte da sua vida. Quem nasceu em algum dos nove estados do Nordeste tem contato “obrigatório” com essas canções, que extrapolam o período das festas juninas e são ouvidas, cantadas e dançadas o ano inteiro.
No entanto, a região ficou pequena para abrigar todo o sucesso de bandas como Calcinha Preta, Limão com Mel, Magníficos e Mastruz com Leite, que têm seus refrões e suas melodias marcantes conhecidos no Brasil inteiro. Ao surgir na década de 1990, o forró eletrônico chegou a ser chamado de “forró de plástico”, uma expressão pejorativa que era utilizada para fazer uma oposição àquilo que era tido como clássico e tradicional, que era o forró de Gonzagão.
Alguns sucessos de bandas do forró das antigas se transformaram em clássicos do gênero. Em cada estado do Nordeste, eles tocam diariamente nas rádios, nos programas locais de TV e nos shows que acontecem ao longo dos 12 meses do ano, e não apenas em junho. Isso demonstra a atemporalidade das músicas, a maioria delas lançadas na década de 1990 e nos primeiros anos do século 21.
“Nos últimos anos, essas bandas vêm ocupando as programações das festas de Caruaru, de Campina Grande, do Recife. Tem também uma espécie de busca do público por essa música cantada, que canta o Nordeste de um jeito diferente do que a música do agronegócio, que a música do sertanejo tem cantado”, disse Hugo Menezes.
Com relação às letras, a principal compositora dos sucessos do forró das antigas foi a cantora cearense Rita de Cássia, que morreu em janeiro de 2023, aos 54 anos. Da mente criativa dela, saíram clássicos como “Meu vaqueiro, meu peão”, música lançada em 1993 e considerada o marco inicial do chamado forró eletrônico.
“Rita de Cássia tem mais de 500 músicas, grande parte delas gravadas por bandas como Mastruz com Leite e Cavalo de Pau. Essa compositora tem uma forma de narrar o Sertão muito poética, muito cândida, muito romântica, pois canta a paisagem do Nordeste, ela canta os amores impossíveis”, pontuou o especialista.
Outro destaque feminino é Eliane, conhecida como a “rainha do forró”. A cantora cearense, de 57 anos, se firmou como uma das principais vozes do forró das antigas, um protagonismo que chama atenção por ser a exceção em um cenário musical que era predominantemente dominado por bandas. Entre os sucessos da carreira dela, estão “Quem é ele”, “Meu nêgo” e “Amor ou paixão” — esta última canção foi regravada por Elba Ramalho, em uma versão lançada na sexta-feira (20), para o São João de 2025.