
Estudos sobre mudanças climáticas indicam que, até 2070, o Nordeste pode perder mais da metade das áreas adequadas ao cultivo do caju, símbolo econômico e cultural do semiárido brasileiro, em decorrência da continuidade do aquecimento global.
O caju é mais do que uma fruta. No Nordeste, ele representa renda, identidade cultural e permanência no campo. Em algumas localidades do sertão, a cadeia produtiva do caju responde por cerca de 40% da renda mensal das famílias, evidenciando sua relevância econômica e social em contextos de elevada vulnerabilidade produtiva. Entretanto essa realidade pode mudar rapidamente com o avanço das mudanças climáticas.
Simulações climáticas recentes indicam que o aquecimento global tende a reduzir de forma significativa as áreas onde o cajueiro consegue sobreviver e produzir no semiárido brasileiro. Hoje, cerca de 18 milhões de hectares ainda apresentam condições favoráveis ao cultivo. No entanto, esse cenário começa a se estreitar nas próximas décadas.